Num determinado momento, em algum instante mágico e imperceptível, as pessoas se apaixonam. Tenham elas a idade que for, se apaixonam. É a regra sem exceção. Apaixonam-se, sem dúvida e pronto!
Algo muito especial encanta as almas e elas se entrelaçam como linhas dfe uma rede. Tudo o mais é detalhe. E detalhe que só é percebido por quem vê do lado de dentro porque as pessoas se apaixonam por detalhes do que não se vê. Os que assistem, do lado de fora, são meros especatoderes e ficam sem compreender o que motivou tal êxtase.
Observo o fascínio de alguém apaixonado e tento entender as razões que desencadearam tal entusiasmo.
Ele gosta de salada de frutas, usa calça jeans com uma estampa de Che Guevara na camiseta, lê jornal todas as manhãs e tem um ar de intelectual. Ela assistiu a quase todos os musicais da Broadway, nunca ouviu falar em Vitor Hugo, adora o Mel Gibson e rejeita comida macrobiótica. Encontram-se e, de repent, a faísca acende e desperta um arrebatamento único e intenso. Eles possuem nada em comum. E surpreendentemente, se apaixonam.
Se ao vê-los caminhando de mãos dadas me surpreendo com as diferenças existentes a olho nu, nem passa pelo pensamento deles que possam causar espanto nos outros. Desfilam sua escolha com orgulho e gestos firmes.
Que misterioso artifício da vida é esse, que determina em certos momentos, o nascer de uma paixão? Respostas, não as tenho. Tenho tão somente o desejo de entender o mecanismo imperceptível que modifica comportamentos, faz bonito o que não é e traz alegria ao que era triste.
Em contrapartida, reconheço um número imenso de pessoas, querendo fazer parte do seleto grupo de apaixonados nesse constante (ou não) estado de encantamento e, fracassando em todas as tentativas. Parece que não foram abençoados com o sutil detalhe ou engrenagem que desperta paixões entre os mortais.
Mistérios. Injustos mistérios. Parece impossivel racionalizar sobre o assunto.
"O coração tem razões que a própria razão desconhece"; como a literatura sedimentou, mas não me convenceu!!
Ainda vou descobrir o segredo que desfila frente aos meus olhos toda a vez que cruzo com um par de apaixonados de mãos dadas e olhares brilhantes como se fossem viajantes de outra galáxia.
Afinal, amor não é coisa de outro mundo. "Amor é", como tão bem definiu Camões, "um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer..."
É sempre válido lembrar das vezes em que nos encatantamos com outro alguém e, melhor ainda, é constatar que nesse exato momento estamos apaixonados em estado de graça, vivendo uma imensa e adorável paixão sem maiores razõesdo que a de, simplesmente dar vazão a que nos vai na alma..
Que seja assim.Sempre!